A morte do jornalista angolano

Não tivesse sido morto, o jornalista Alberto Graves Chakussanga talvez nunca ficasse conhecido. Ficou porque sua morte, uma das quatro de jornalistas ocorridas em poucos dias, foi condenada mundo afora. Uma busca pelo nome de Chakussanga no Google gera 16 mil resultados. A prática do jornalismo em Angola é delicada, já que o país é governado por um mesmo partido há três décadas, e não há muita liberdade de imprensa.

De acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), Chakussanga trabalhava para a Rádio Despertar, que teria vínculos com a Unita, partido de oposição em Angola. A rádio seria crítica ao governo da MPLA, ainda de acordo com o CPJ. Os dados do Comitê sobre a morte de jornalistas em Angola não são assustadores como os de outros países, mas há razão para atenção.

A condenação veio de vários lados. A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, descreveu a morte de Chakussanga e de outros jornalistas como “graves violações do direito humano básico de liberdade de expressão”. Além do angolano, foram mortos o afegão Sayed Hamid Noori e dois iraquianos, Safaa al-Khayat e Riad al-Saray.

O diretor do escritório africano da Federação Internacional de Jornalistas (IFJ), Gabriel Baglo, disse, em um comunidade da entidade:

Estamos chocados com esse assassinato sem sentido e toda a comunidade de jornalistas está profundamente preocupada com o nível de insegurança e de intolerância em Angola. Instamos as autoridades angolanas e dos órgãos da lei para garantir que os assassinos sejam levados à justiça

A Repórteres sem Fronteiras (RSF) também condenou a morte do jornalista angolano, e pediu que a investigação leve em conta a possibilidade de que pode se tratar de um assassinato político ligado ao trabalho do jornalista. A entidade indica ainda que Chakussanga foi o primeiro jornalista morto em Angola desde 2001.

A Rádio Despertar, explica a RSF, “foi criada como resultado dos acordos de paz entre o MPLA e a UNITA, em 2002, quando a UNITA deu fim à sua rebelião armada”. A RSF conta a história de outro jornalista, William Tonet, impedido de deixar o país. Tonet é o editor do jornal independente Folha 8 (F8), baseado em Luanda.

Desde 1995, quando o Folha 8 foi criado, 69 reclamações oficiais foram feitas contra o veículo e o editor. No último incidente, o passaporte de Tonet foi apreendido, o que o impede de deixar o país.

(Obrigado à Emelê pela colaboração)

Sobre Gabriel Toueg

Jornalista.
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